Quasar

Eu lembro bem daquela noite.
No seu quarto de móveis mudados por mim.
Num posição que não sei se eu era de acordo, mas você aceitou.
Como em tantas outras decisões que tomei, sem razão, sem direção com sua companhia.
Explicou-me naquela noite gazosa a força dos buracos negros enquanto eu te colocava a ouvir Muse.
Nós dois entendemos bem um ao outro no ponto vácuo.
Dois que apreciavam a solidão.
Você foi aquele projeto de viking como meu alargador 5 mm, que nunca deixou de ser um dilatador engraçado que a sua mãe confundiu uma vez.
Naquela noite o Quasar fazia sentido sobre nós.
Eu aprendi a sensação que o seu significado me causou, mas não assimilei adequadamente ao momento…
Confesso que, quando o tempo passou naquela distância, meus estudos em semiótica saíram do zero.
Um dia – numa conversa despretensiosa sobre astrofísica – alguém, que não falava de sentimento, me trouxe à tona essa noite em que o universo era mais que um poema sem rima…
Quasar é agora, no meu dicionário de símbolos, o resultado da intensidade real e necessária de atração de um buraco negro, completo, que toma a força das estrelas para si.
Mas há muito mistério ainda e há quem diga que buracos negros que alimentam-se mutuamente causariam a maior das explosões do cosmo. Expandindo minha mente sobre o conceito do verbo “casar”.
Colocando-me a divagar levemente sobre assuntos que desconheço… na possibilidade esperançosa, física e latente da formação de uma supernova.

 

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