Natal em família

Hoje somos só eu e minha mãe.
Cada uma com sua fé.

Sem formalidades, apenas um feriado entocadas.

Por vezes nessa vida eu pensei que eu seria capaz de formar uma família…

A terapia tem me mostrado que só aprendi a solidão… Mudar as estruturas parece bem complexo.

Não sei com quantos anos eu comecei a ser triste.

Essa tristeza é antiga, enraizada, cimentada. Até hoje nenhuma das minhas revoltas e ousadias foi capaz de afastá-la definitivamente.

Como o psiquiatra disse, as minhas ferramentas são ineficazes… E por mais que eu faça tudo, não estou fazendo nada.

Mal sei por onde seguir.

Conversar não ajuda, não sei por que ainda comento alguma coisa com as pessoas. Acho que não sei distinguir as grandes almas entre a multidão.

Silenciar e observar parecem ser minha solução. Mas quando vou me comunicar, depois de muito tempo observando, as frases não se formam adequadamente e eu me perco em sentidos e fico difícil de ser entendida.

Tenho sido muito introspectiva e essa fase do ano em que todo movimento diminui é bem incômodo.

O que posso dizer é que depois de muitos anos, esse é o Natal mais feliz que estou tendo. Pelo simples fato não de não ter que fingir nada, nem socializar forçadamente. Estando somente minha mãe e eu, eu posso apenas descansar e não fazer nada sem culpa nenhuma.

É estranho que talvez este meu natal seja, de alguma maneira, o mais invejado de todos.

Ser feliz é silencioso.

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