Sufoco

Eu já entendi que estou vivendo minha vida esperando ele voltar.
Desde ontem à noite tentando deixar o pensamento fluir.
Não adianta a Sertalina se os pensamentos estão aqui.
Estou entendendo meu erro.
Que é focar o erro.
Olhar demais para o que rejeito.
Lembro que foi assim que uma vez furtaram meu celular na bolsa dentro de um ônibus em São Paulo: eu olhava um sujeito estranho na calçada com receio de algo. Me distraí nessa ideia, nessa imagem negativa. Quando percebi, o cara ao lado tinha conseguido fugir antes que eu me desse conta.
Estou sendo aquela companhia que todos evitam, que olha pra ferida, que expõe os erros e vive tentando acertar.
O problema é que encontro alguma resposta temporária pra vida encontrar outro problema.
Era para eu ter disposição para fazer coisas que me agradam, mas não sei mais o que me agrada.
A única coisa que me agradava na vida era a sua companhia.
E por isso me doía tanto não tê-la nesses momentos.
Eu estou entendo.
Não deveria ser assim.
Tenho um caminho tão extenso pela frente…
Meto-me em becos sem saída a todo momento.
Nem consigo me mover direito nessa casa agora que vivo só na companhia da minha mãe, alguém que me segue pra todo lado e fica.me perguntando se já comi, se estou bem… Me sinto sufocada.
Tem hora que eu acho que a culpa a dela, que a energia dela e suas atitudes fazem com que eu fique sozinha. Como se ela não quisesse me ver feliz com alguém.
Ela passou a vida se remoendo do relacionamento que teve com meu pai e me educou falando para eu ter valores diferentes do que a sociedade impõe: “virgindade não é nada”, “tem que namorar bastante”, “tem que conhecer os homens para ficar com o que te ame de verdade”… Tudo errado. Tudo o que vinha a me transformar na mulher que ninguém quer.
E meu pai não facilitou: “case e tenha filhos somente após os 30”. Se eu questionasse ele vinha cheio de argumentos.
O que sou eu hoje?
Não me educaram para ser vaidosa, também vacilaram na ajuda pra autoestima.

Olha só quem está aqui focando o problema novamente?

Joguei recentemente tantos escritos fora, deste mesmo teor, acumulados ao longo dessa vida!

Ele se desencantou.
Na verdade não sei em que momento se encantou.

Será que minhas vontades são poderosas assim?

Eu gostaria de estar com ele. Estar bem.
Gostaria de me sentir amada, valorizada.

Todos falam que eu tenho que fazer isso por mim primeiro. Levar meu ser para locais interessantes,me levar pra passear, investir em mim sem medo.

Estou sem carro, me sinto limitada.

Preciso entender, na prática e não na filosofia, onde estão os meus problemas.

Por exemplo:

Está calor e estou com sede.
Estou escrevendo trancada no quarto com um vestido preto, em reverência ao meu luto.
É só tomar um banho
Estou sem carro, ele está parado na oficina.

Não quero mais ficar com ele.
Pesquisei alguma coisa sobre o motor e desisti.
É só anunciar.

Hoje é sábado, estou sem carro e não sei para onde ir e não tenho ideia de alguém que eu poderia conversar e me sentir em casa.
Tem uma festa na cidade vizinha que parece legal, com músicas que gosto, mas acaba às 2h30 da manhã, não vou ter como voltar.
Posso arriscar encontrar um conhecido e estender o passeio. Mas esses riscos eu corri por tantas vezes.
É isso, eu quero sair, mas quero compartilhar o momento com alguém e também quero me sentir segura e saudável.
Nesse aspecto eu travo…
Envolve outra pessoa eu me meto em mais um beco. E os pensamentos começam a bater em cima de filosofias que não explicam nada… “Será que minha vida é pra não compartilhar?”, “será que devo me inscrever em algum serviço voluntário e esquecer de mim o resto da minha vida em prol de algo maior que eu?”, “será que um dia eu vou ser capaz de ser a esposa de alguém em paz e ainda pensar em filhos?”…
Eu não sei.
Mas eu sei que quando a gente diz “não sei” é porque a resposta só está na gente mesmo.
Eu não quero ir para o bar, de fato, onde tem muita gente bêbada, vendo uma realidade que eu não vou ver.
Eu quero ouvir música que mexe com meu coração e entrar em comunhão com alguém. Sentir a conexão, experimentar que a exclusividade específica daquele momento máximo que só existe por temos eu e você juntos.
Aí me dou conta que esse sentimento sempre existiu somente em mim.

Que o frio bom na barriga foi eu que causei em mim.
Eu me senti importante e especial.
Não porque o outro me convenceu, mas porque eu própria estava preenchida disso.
Mas analisando assim, muitas vezes esse meu sentimento surgiu em momentos que atribuí uma ideia de ilusão: realidades muito diferentes do meu cotidiano e com pessoas estranhas.

Será, meu Deus, que o meu talento especial nessa vida é ser feliz onde tudo pra mim é desconhecido?

Parece tão invertido!

Ninguém se sente à vontade pra falar com estranhos. Eu não ligo, eu não me importo. Eu amo quando não conheço a realidade, quando a realidade não me conhece!
É tão mais simples!

Mas é tão iludido…

Minha mente não para.
E sempre foi assim.

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