A erupção do Krakatoa

ou o Poder das Coisas que Arrastam

O sol amanheceu e eu vi o mundo ainda de olhos fechados.
Era sábado de Páscoa em um ano sugestivo.
Eu havia me libertado.
Mas um vulcão ativo sempre acorda outro.
E eu não esperava ver de perto suas lavas salgadas e amargas.
Aquelas lágrimas que cobrem cidades e destroem toda a vida que resta.
O seu olhar incandescente não me dizia amor, era sobre raiva que ele falava.
Nunca alguém tentou me convencer que me amava apontando meus defeitos.
Cabe apenas a mim o meu lado negro.
E não peço a ninguém que se obrigue.
Em um momento breve, sem controle, a erupção atinge níveis autoritárias.
A lava escorre por entre caminhos amortecidos, deixando estes ainda mais insensíveis.
Não há nada a ser feito, a natureza impera.
Aguardamos o seu movimento e esperamos por um futuro melhor e de céu limpo.
Cansada, enfim.

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