Para si.

Preciso analisar meu interior e focar os detalhes que formam os meus pensamentos.

Tenho pensado dia após dia que me distanciei demais da imagem da mulher padrão atual, não me encaixando em nenhuma das suas ramificações.

Não se trata de arrogância, mas da constatação de que eu sempre me incomodei com a possível limitação do universo que sou. E todos nós somos universos. Únicos.

Ao meu redor vejo muita gente lutando pra ficar mais parecido de maneira superficial enquanto já somos intimamente ligados na base.

Únicos e plurais…

Justo é somente compartilhar a própria experiência, sem supor que outra experiência não vivida por você seria melhor. Não dá pra se ter uma educação baseada no “e se…”.

A prática da Ciência exige a dúvida, mas a partilha do conhecimento deve sempre ser sobre a experiência vivida. Quem supõe a teoria deve vivê-la.

Tive vários tipos de relacionamentos e encontrei semelhanças em seus fracassos…

Uma relacionamento nunca é feito por uma pessoa só e os dois precisam estar dispostos a atuar e assumir os seus papéis.

Vou tentar estruturar meu maiores incômodos para, a partir do negativo, tentar visualizar a imagem positiva.

Sobre relacionamentos fortuitos: são formados pelo início e pelo fim. Há uma troca desinteressada em sua totalidade, maquiada por uma ilusão de vontade. Nessa relação, pelo menos um dos dois já inicia a caminhada dando a ela um prazo curto inquestionável, solidamente decidido antes do primeiro passo. Algumas vezes, se há uma grande vontade e inteligência emocional por um lado, essa caminhada é ampliada em uns dois passos ainda na fase inicial. Há um aparente aquecimento das máquinas que movem um relacionamento nesses casos… E quando aquele foguinho fraco brilha um pouco mais, sua força de queima ao mesmo tempo em que é responsável pela força da chama, é a que leva embora sua capacidade de se manter acesa. E aí acaba. Qualquer tentativa de insistir num carvão queimado e já meio úmido pelo frio é só um encarar de uma cena ruim que não merece seu tempo.

É preciso trabalhar a frieza para ter sucesso nesse empreendimento, o que não é nem de longe nobre, mas pode ser útil se vc tem um propósito maior. É humano ter cuidado com as pessoas envolvidas. Contudo, existem aquelas pessoas que passam anos sem ter um propósito, um motivo elevado para terem um relacionamento saudável compromissado… essas pessoas devem ter seus motivos, mas receio que muito tempo nessa condição a deixa cega sobre o quanto ela pode ser nociva.

Já pensando nos relacionamentos medianos, os namoricos: existe uma preocupação de pelo menos uma das partes demostrar vontade e pelo menos uma parte realmente sentir essa vontade de estar junto, seja lá porquê. Às vezes iludindo a si próprio e às vezes um ao outro…

Um namoro já tende a evidenciar que os dois tem uma certa imagem inicial compatível sobre a presença um do outro, um sentindo real vontade de estarem juntos no começo. Esse é o nível de relacionamento de entrada da complexidade dos acordos mútuos, construídos e mantidos de forma sutil na maioria das vezes. Até que chega em um ponto crucial, onde a vontade muda e é preciso repensar em conjunto a compatibilidade da presença e os planos para além desse momento.

É aqui que a vontade, o interesse, a moticação em “desbravar” se faz importante… Para mim.

Quando a vontade muda, nesse namoricos, a tendência é o fim… mas que houvesse continuação eria preciso estar de mãos dadas e sentir que elas realmente estão dadas.

Os namoricos tem o prazo do seu início impreciso, muitas vezes, dentro da situação é confuso identificar quando passaram para a próxima etapa, que é quando um dois dois já acionou o botão do comodismo e parou de querer saber mais, a pensar outras possibilidades de se conectar.
Essa fase dura o tempo que um dos companheiro leva para perceber que sua paixão não é tão bem correspondida mais como no início e, ao tentar mudar sua posição sem sucesso, entende que dali nada mais irá ser suficiente se não houver a vontade do movimento do outro.
Chegando ao fim. Entre o comodismo e o fim, a quantidade de tempo transcorrido pode variar bastante, inclusive podendo durar mais que alguns namoros.

Namoros são um pouco mais complexos… e por isso, não é o tempo que o define assim, mas sua composição.

Acho que a complexidade dos nossos relacionamentos vai aumentando em direção à formação da nossa sociedade complexa… (Escrever tudo isso tem começado a me indicar a comparação com os nativos brasileiros de vida mais simples… me perguntando agora, como são os romances indígenas? De repente imagino aqui… a qualidade dos relacionamentos fortuitos podem indicar muito sobre a base de uma comunidade…)

O namoro contém parte da formação de um relacionamento fortuito, parte da formação de um namorico, mas ele vai além desses dois.

Vamos acrescentando fases antes do fim…
(E isso faz com que fique evidente que tudo nessa vida, em algum momento, acaba. Uma vez que a própria vida é finita, tudo relacionada a ela acaba.
Apesar que, enquanto houver vida humana, existe a possibilidade da ideia permanecer viva! A ideia é deve ser a mais poderosa dos feitos humanos.)

Enquanto um relacionamento fortuito é comporto por início e fim, um namorico por um início, um tipo de conformismo momentâneo e o fim, um namoro é preenchido por início, crescimento, conformismo e fim.

Basicamente, um namoro exibe a capacidade que ambos possuíram nessa relação de se adaptar juntos à mudança da vontade, mas uma vontade que tende a sempre se modificar. O namoro, nesse caso, pelas minhas experiências são assim caracterizados por pelo menos UMA superação da mudança da vontade com companheirismo e mantendo o foco em comum.

Eu estive em várias posições, assumi papéis diferentes ao longo dessa vida nesses três tipos de relacionamentos que já me envolvi. Mas eu sou bem honesta em dizer que na maioria das vezes, com certeza não numa maioria absoluta, eu estive preservando a minha vontade e interesse em continuar. Acontece porém que nestas situações eu notei a falta de vontade do outro antes dele e finalizei por minhas mãos muitas histórias… sem dar tempo que o outro fizesse a análise do seu papel e da sua própria vontade. Até chegar o ponto de muitos se desculparem tempos depois e demonstrarem que poderíamos ter superado se eu fosse um pouco mais paciente.

Chegamos aqui ao ponto das minhas atuais reflexões…

Nunca nem ao menos “noivei”, apesar de já ter até morado junto por um breve período com três dos meus ex-namorados.

Não posso dizer, sendo assim, nada baseado no que vivi sobre noivados e casamentos… mas tenho minhas teorias formadas neste processo de anos de tentativas e erros e pretendo, sim, vivê-las. O ser humano é um ser sexual, mas sua base também é social… e neste ponto eu sou muito humana. ME satisfaço na construção de relações, não em um ato físico esporádico.

A partir de agora, então, além de me analisar, analiso os perfis de quem já mantive algum tipo de história de uma maneira mais realista.

Enquanto fui ansiosa em não esperar o tempo do outro, o outro por vezes foi muito lento em se analisar e analisar a própria vontade e agir em cima disso.

Ter curiosidade, interesse e vontade são tão fundamentais! Mas não são muita coisa se não são demonstrados.
E como garantir que se demonstra algo?

A comunicação é a base de tudo, mas comunicação não se resume a palavras e muito menos as extingue.

Nas minhas histórias, me senti muda muitas vezes, por tentar me comunicar e não acessar o entendimento do outro… mas aprendi algo valioso na terapia: você nunca vai conseguir acessar alguém que não está acessível, que não está disponível para esta comunicação.

As mulheres são enormemente talentosa em um ponto: no diálogo.
Tanto que as grandes guerras foram mantidas predominantemente por quem?

O sexo feminino teve determinadas características desenvolvidas por séculos dentro da nossa sociedade e começaram a ser encaradas como “habilidades naturais” que, na realidade, não colocadas em prática com grande esforço em muitas situações.

Não é “inato” ser violento OU pacífico. Somos os dois por natureza e a educação tende a trazer o equilíbrio que traz mais benefícios ao indivíduo e a sua comunidade.

Fui educada pra ser pacífica e não me acostumo com a rotina de quem está sempre vivendo em guerra consigo e com os demais ao seu redor.

Como se mantém o diálogo e a comunicação com quem está sempre armado?

Meus questionamentos, especificamente no meu último relacionamento, sempre foram recebidos como ofensas e respondidos com ataques. Faltava o outro se permitir a dúvida para que eu pudesse, enfim, me sentir segura.

Esse sucesso todo de Cinquenta Tons de Cinza e 365 dni entre as mulheres, aparentemente tem em sua base a fragilidade exposta por seus personagens masculinos.

Acho que as pessoas, principalmente os próprios homens, ainda não entenderam que as mulheres sentem, ainda, muito medo dos homens. É por isso que andamos na rua sozinhas à noite com uma insegurança desesperadora constante.

Os homens demonstram muita dificuldade em se comunicar pacificamente.

OS dados da violência doméstica estão aí para evidenciar o que meus ex-companheiros insistem em negar.

Somente fatos combatem fatos.
Somente uma cultura muda uma cultura.

E trazendo essa discussão pra nossa sociedade (e não outros moedelos de sociedade que já existiram e existem pelo mundo, porque afinal, estes problemas são nossos e não da humanidade toda… é só analisar antropologicamente tantos exemplos de sociedade que funcionaram e funcionam de maneira muito diferentes das nossas).

Não para eu supor uma tese em cima dos meus relacionamentos…

E enxergo um comportamento muito racional que eu adotei nos últimos anos com o intuito de enxergar o fundamento dos meus sentimentos.

O feminino, agora sim, é naturalmente intuitivo. Mas até a intuição precisa ser analisada para não levar a um comportamento equivocado. Para quem tem o sexto sentido consolidado, é importante estudar o comportamento adequado a ser tomado em cada situação, de forma racional e estratégica.

A intuição não pode permitir injustiças infundada, nem deve servir para justificar atitudes maléficas. A intuição é um poder, que precisa ser bem utilizado.

Espero não ter ferido muito meus parceiros nas fases em que eu não tinha a menor ideia do que fazer com o que eu sentia, porque ferimentos houveram dos dois lados, com certeza.

Ainda sobre eu último namoro, eu sou muito grata à vida pela oportunidade de me oferecer uma prova daquela intensidade confiando que eu iria sair dela e que sairia melhor do que entrei.

Vocês não sabem o tamanho do tapa na cara que levei quando entendi que eu não tinha prazer em ser quem eu era e na vida que eu vivia, sendo um ser de muitas histórias e talentos, mas que de tanto exigir muito de mim para evoluir, perdia o prazer em viver esta vida. O tapa na cara veio quando entendi que aquele ser com quem eu convivia, de horizonte mais limitado, que não alcançava pontos importantes e básicos do que eu tentava dizer quando me abria, tinha enorme prazer e orgulho em ser quem era.

A tal da “autoestima do homem hétero” poderia, de fato, ser um valioso objeto de estudo das Ciências Sociais. Mas ela muito me cheira a uma arrogância do que, de fato, um amor próprio.

E essa minha última experiência tem me feito analisar e melhorar minha autoestima, com cuidado para não cair nas graças da arrogância, afinal no amor existe compaixão.

E hoje eu entendo que o melhor parceiro para mim será alguém que se ame, que se comunique pacificamente, que tenha valores e ideais sociais, que atue com autonomia e pró-atividade diante da vida e que seja paciente e obstinado.

Continuo teorizando, continuo fazendo a minha própria ciência afetiva.

E entendendo melhor como eu “funciono” dentro disso.

O que eu torço com muita fé é que você termine de ler esse texto muito menos preocupado em me entender ou saber e tentar definir de alguma forma a pessoa que escreveu tudo isso, mas que sua mente seja evoluída o suficiente para captar que, o que importa nas nossas ciências afetivas é que cada um entenda a si próprio.

Suas qualidades são benéficas em um relacionamento ou são aparentemente benéficas porque você quer que elas sejam?
Você encara suas falhas e suas origens?
Como você supõe que entendeu o outro e continua agindo da mesma forma com ele?

Às vezes eu tenho a sensação de que os homens foram ensinados a querer mulheres independentes e admirá-las, mas foram ensinados apenas a lidar com as mulheres “do passado” e que ainda existem. Deve ser mesmo mais confortável estar com algo já “conhecido” mesmo.

Eu já falei que o meu parceiro ideal possivelmente será alguém não acomodado…

Formar uma família com alguém com as características que eu venho apreciando cada vez mais será uma grande honra.

Sei e sinto que serei uma mulher casada com uma das pessoas mais admiráveis que terei conhecido nesta vida. E, enquanto isso não acontece, vou trabalhando em mim, buscando me tornar a minha melhor versão todos os dias. E, recentemente, com muito prazer nisso.







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