Pessoa certa

Eu sinto que os filmes românticos me atraem porque me distraem.

Eles conseguem me absorver e me sequestrar da realidade de encarar o fato de que passei a vida tentando viver no decorrer dos anos de um relacionamento a energia dos primeiros momentos…

A energia inicial do início de um vínculo, de descoberta, respeito, cuidado para se aproximar sem invadir, limites…

Passei a vida tentando buscar a pessoa certa, que pudesse apresentar a estabilidade emocional que eu, vergonhosamente e sufocadamente, não tinha.

Eu não teria sido capaz de manter a paciência diante uma fraqueza do outro, de manter o interesse na mesma potência ao longo de todo o meu ciclo menstrual, de relevar quando ele apresentasse algum sintoma de cansaço em relação a nós…

Quis, até o momento de ter que encarar os fatos da experiência frustrante do péssimo relacionamento comigo mesma, encontrar alguém que fosse diferente de mim.

Quis encontrar no outro o complemento valoroso das boas características fundamentais, no meu ponto de vista, para um relacionamento dar certo, sem olhar para mim e para as boas características que tenho nessa mesma direção, sem olhar tampouco para a possibilidade do outro não ter, nem nunca buscar desenvolver esses pontos, que mesmo que eu quisesse, não daria conta de desenvolver.

A cada relacionamento que tive eu fui angariando retalhos que eu considerava realmente importantes, mas que não formam um todo. Busquei instintivamente a compilação dos pontos fortes de todos os meus ex.

Na esperança de encontrar um… ET?

É, entendo agora que sim.

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