Teve um tempo que eu pensei que era inteligente, que eu tinha a capacidade de ler e entender coisas que outras pessoas não poderiam.

Mas apesar de tudo eu não me conhecia.

Então resolvi estudar a humanidade e descobri que ela é louca.

Foi só quando eu parti para o autoconhecimento que entendi o que é loucura.

Loucura é quando alguém pode colocar em risco a vida de alguém, seja outra pessoa ou ela mesma.

A humanidade é o maior risco dela mesma.

Temos todos momentos em que não conseguimos resolver nossas próprias questões, mesmo quando queremos muito, mesmo sabendo que isso pode mudar totalmente as nossas vidas para aquilo que tanto desejamos.

Nunca vou esquecer quando questionei o meu irmão aos 9 anos de idade porque ele não parava de repetir os mesmos erros, levando sempre as mesmas broncas… e ele me respondeu chorando com a maior verdade que uma criança poderia: “eu tento, mas não consigo. Eu já pedi muito para o Paai do céu me ajudar, mas eu não consigo”.

Existem certas coisas sobre nós que são inatas e devido a isso muito mais complexas de serem transformadas em processos terapêuticos.

A maioria de nós foge do processo da mudança.

Requer estômago para lidar com tanta merda.

Outro dia li um texto-desabafo meu de 2007 em que eu era claramente uma ignorante de alguns aspectos… Cheguei a considerar que a maioria das pessoas que dependiam do apoio da assistência social passassem por muitas dificuldades por preguiça e falta de vontade de mudar.

Precisei conhecer mais das pessoas, mas com certeza tem sido muito mais relevante foi começar a me conhecer para entender que muitos desses padrões inatos de pensar e ae comportar são nocivos a nós.

E não basta apenas querer mudar, é necessário ter acesso às ferramentas certas.

O psiquiatra me disse que não tenho problemaa cognitivos eu eu acreditei nele, isso faz sentido pra mim.

Mas outra frase que ele me disse naquele momento foi muito mais importante no início desse processo, foi a partir dela que entendi o que eu tinha que buscar: “suas ferramentas são ineficazes”.

Ele quis dizer, pelo que entendi, que tudo o que apreendi da vida até ali ainda não tinha me oferecido as ferramentas necessárias para que eu mesma consertasse problemas internos.

Bom, isso foi eu. Não sei se outras pessoas conseguem sozinhas construir essas peças em tempo suficiente para que possa se viver a vida de forma mais confortável depois.

É, acho que é isso que tenho buscado em tudo isso, conforto. Conforto mesmo.

O lugar interno em que mais me acomodei sempre foram cadeiras provisórias. Acho até q elas eram tinham um potencial imenso de serem confortáveis, mas a forma como que sentei na maioria das vezes foi sempre a mesma: na ponta, ansiosa por saber que chegaria a hora de mudar de novo.

Nunca foi um processo simples encarar as mudanças que viriam, mas não porque me pegavam acomodada em uma situação, mas por estar tosa hora me exigindo preparo, atenção e prontidão para realizar da maneira mais rápida possível a próxima mudança.

E agora tenho notado o quanto meus processos de mudança são longos! E a pessoa que mora em meu interior toda hora me apressa, me fazendo sentir mal pelo tempo que levo e acabo me dedicando nesses processos.

Sinto que o autoconhecimento é um labirinto sem fim, mas que todo caminho percorrido tem se transformado em algo mais simples.

Eu andava achando possível fugir do labirinto, resolver questões de forma que eu me sentisse livre. O caminho percorrido começou a se tornar minha casa e algumas coisas foram se tornando mais orgânicas, fluidas e claras.

Falar sobre os sentimentos, sobre experiências que acabaram na prática mas ainda não tinham um resultado claro nos pensamentos…

Envolvi muita gente nessa procura por um conforto interior… que me ofereçam frações do que eu precisava nessa construção. Encontrei e convivi com formas diferentes de pensar e viver. Consegui muitos elementos que podem contribuir se eu souber lançar olhar pra tudo isso.

Todos tem seus becos sem saída dentro desse labirinto, me conforta saber q não sou só eu.

Cheguei a encontrar o beco sem saída pra vida, no momento que eu só sabia interpretar como morte.

Tenho percebido o quanto foi e ainda estou sendo ingênua… o que tem feito ser mais difícil confiar em alguém.

A desconfiança tem sido o meu entrave para amar.

E eu continuo tentando mudar.

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